quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Abandonado, desesperado.

Apenas de cueca, sentado na varanda do enorme apartamento com vista para o mar, Carlos observava a noite.

Mãos trêmulas, tentava inutilmente acender um cigarro. Não fumava há anos, mas naquele momento já não se importava muito com seus pulmões. O isqueiro sem gás não ajudava. Já havia bebido meio litro do seu melhor uísque, 18 anos, que há tempos guardava para uma ocasião especial. Julgava que a hora havia chegado.

Rico, com filhos bonitos e abandonado pela mulher. Precisava de coragem para aquilo. Sobre uma mesinha de vidro na varanda, uma arma antiga. havia sido de seu pai, da época da guerra. Estava carregada, funcionando.

O cano da arma tinha gosto de metal. Estava gelado, mas não havia problema. Apenas não queria errar o tiro.

As crianças acordaram com o disparo, começaram a chorar ao ver que o pai havia dado um tiro na própria boca.

Carlos acordou na UTI, tonto por causa dos sedativos. Iria sobreviver. O tiro pegou na espinha, estava tetraplégico. Mas feliz, tinha dado tudo certo. Agora sua esposa seria obrigada a voltar para casa e cuidar do marido.

2 comentários:

deborahtabosa disse...

Caralho que cara pertubado kkk

Dih disse...

Assim que abri o seu blog ja fui surpreendido pela imagem e depois de ler este texto, ví que você é uma cara de potencial... Foda o seu texto... LOUCURAS POR AMOR, é isso as vezes acontece... Parabens
http://projetosdeumlouco.blogspot.com/